Um dia de rebeldia
Uma manhã aparentemente tranquila… Acordamos às 6:30hs, minha esposa se prepara para ir ao trabalho, eu preparo nosso filho para a escola, e assim que os dois passam pela porta começo a me arrumar. Porém, este dia foi diferente, não pelo seu mau humor matinal herdado de mim, mas sim pelo seu primeiro ato de rebeldia.
Como em todas as manhãs ele estava mudo, sem reclamar de nada, nem mesmo da temperatura da sua mamadeira – nunca acerto a temperatura correta. Arrumei sua mala enquanto ele assistia TV, chamei-o para se vestir e após varias tentativas de iniciar um dialógo, ouço um resmungo: “Hoje vou voltar sozinho da escola”. Sem entender direito o que estava ouvindo de um garoto de 3 anos, peço para ele repetir.
“Hoje volto sozinho da escola”, desta vez com ênfase autoritária.
Lá do quarto minha esposa responde: “Certo filho, então não vamos te buscar”.
Meio zonzo, achando que ainda estivesse sonhando, pergunto a ele o que ele tinha dito. Escuto novamente a confirmação: “Hoje volto sozinho da escola”. Autoritário, o Presidente resolve tomar as rédeas e apenas nos informa a sua decisão.
Como todo bom executivo, resolvo não contrariar a decisão do Presidente e participo da sua opinião, reforçando com um sim. “Sem problemas filho, vou colocar um aviso na sua agenda escolar para te liberarem no horário da saída”.
Após alguns minutos de atenção voltados para a tv com o desenho e a decisão tomada, ouço um resmungo.
“Mas eu não posso…”, diz meu filho, ou melhor, o Presidente.
Mostrando-me surpreso questiono sua indecisão. “Como assim?”
“É pai, não consigo apertar o botão 23 do elevador”, diz ele.
Então insisto: “Repete filho, não estou entendendo.”
Mais incisivo, ele diz: “Pai, eu sei chegar até o elevador, mas não alcanço o botão 23!”
“Pois é filho, então deixa que o papai vai te buscar.” Respondo como um bom executivo, que quer apenas ajudar seu Presidente a alcançar seu objetivos, ignorando todas as outras dificuldades que ele encontraria pelo caminho.
Como todo líder, ele acreditava que conseguiria chegar lá sozinho, mas precisava de um bom executivo para auxiliá-lo nos degraus que teria pela frente. Neste caso, o botão do elevador, como se só esse fosse o problema de um garoto de 3 anos voltar sozinho da escola, que fica a 2km de casa.
Atualizando...
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